Caminito del Rey para caminhar e viver

Fomos de férias para a Andalucia e não podíamos deixar de percorrer o Caminito del Rey.

Duas semanas antes da nossa partida compramos as entradas no site oficial. Não foi fácil encontrar entradas disponíveis para os doze dias que ficamos na região de Málaga. Conseguimos reserva para o penúltimo dia da nossa estada num horário pouco apelativo para caminhar (16h30).

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O Caminito del Rey é um percurso pedestre construído ao longo da encosta dos desfiladeiros de Gaitanejos e Gaitanes na Sierra de Málaga. Este troço de montanha foi originalmente construído em 1901 para permitir a passagem de operários e o transporte de materiais entre o Salto del Gaitejo e o Salto del Chorro. Duas décadas mais tarde o Rei Afonso XIII percorreu o percurso aquando da inauguração da Barragem Conde del Guadalhorce, mudando a partir desse momento a designação do troço para Caminito del Rey.

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Considerado como um dos percursos mais perigosos do mundo foi fechado em 2001 pelo governo espanhol após a morte de alguns aventureiros. Tecnicamente é um percurso linear (não começa e acaba no mesmo local). Na totalidade tem cerca de 7 quilómetros a contar com os acessos norte e sul feitos no início e final do percurso, respetivamente. O coração do percurso chega a estar elevado a uns 100 metros e tem três quilómetros de comprimento com um metro de largura. A parte mais interessante e vertiginosa do caminho é o Desfiladero de Los Gaitanes que só por si é um local bruto de geologia, confluência de rios, vegetação e de arqueologia industrial dos finais dos séculos passados.

Mas vamos à experiência no Caminito del Rey

Saímos em direção a Marbella na Autovia-7 e em San Pedro Alcántara seguimos uma estrada nacional que rompe por completo o Parque Natural Sierra de las Nieves. Como tínhamos praticamente o dia todo decidimos parar em Ronda – uma cidade do noroeste de Málaga procurada particularmente por estar situada num belo desfiladeiro.

Quando chegamos a Ardales percebemos a dificuldade em encontrar as orientações para o acesso norte do Caminito del Rey. Reorientados, seguimos pela MA-5403 fascinados pelas cores da Albufeira Conde de Guadalhorce. Cerca de 10 minutos depois estávamos junto de um posto de informações onde por 2 euros pudemos estacionar o carro.

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Decidimos lanchar antes de sair do estacionamento e assim poupamos as costas com menos peso na mochila. A poucos metros entramos num apertado túnel mesmo à beira da estrada que dá acesso à entrada norte do caminho. Menos de três quilómetros depois estávamos junto do posto de controlo. Neste local estão disponíveis elementos da empresa que faz a gestão do caminho. Há um WC, máquina automática de bebidas frescas, carregador de USB solar e WiFi para podermos por à prova os telemóveis antes de percorrermos o percurso.

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O acesso é feito a cada 30 minutos em grupos algumas dezenas de pessoas, sendo que esperamos pouco mais de trinta minutos para podermos ser integrados num grupo. Chamados à ação colocamos o capacete de proteção e no briefing foi dada particular atenção para o cuidado com os telemóveis que caem com frequência no desfiladeiro.

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A partir deste ponto o grupo percorre livremente o trilho, em velocidade lenta e em apreciação alta. O desfiladeiro é grotesco. As cores azul e verde água do rio e da albufeira misturam-se com os tons castanhos da montanha e os verdes da flora. O silencio é praticamente absoluto. Debaixo deste novo percurso é possível ver quase sempre o que resta do original Caminito del Rey – um corredor de cimento maltratado preso na montanha por umas vigas de ferro ferrugento. Espetaculares experiências terão tido os audazes que o percorreram na versão primitivo.

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Os senderistas que ocorreram naquele dia ao trilho estão espectáveis a cada metro do passadiço. Do outro lado do desfiladeiro passa um comboio da Renfe. Que bela vista têm os passageiros daquela viagem, pensei eu. Os três quilómetros principais parecem ter passado rápido demais. Um olhar discreto para o relógio diz-me que estamos a percorrer este troço há quase duas horas.

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De repente avisto um elemento do staff do Caminito del Rey. Observo a placa de homenagem aos três aventureiros que morreram neste local faz alguns anos e avisto a ponte suspensa entre as duas imponentes montanhas do desfiladeiro. A ponte com algumas dezenas de metros de comprimento tremia ligeiramente com os nossos passos enquanto o vento levantava o capacete nas nossas cabeças durante a travessia.

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Tínhamos sem dúvida atingido o ponto máximo do trajeto e neste momento só nos faltava o acesso final até Alóra onde apanhávamos o autocarro de regresso até Ardales. Mais uns poucos quilómetros, desta vez a descer, entregamos o capacete à organização, enquanto mais à frente o autocarro daquela hora esperava pelos últimos montanheiros para arrancar.

Informações úteis:

  • comprar antecipadamente as entradas;
  • o caminho faz-se seguramente em menos de três horas a contar com os acessos norte e sul;
  • não achamos importante carregar lanche dentro da mochila;
  • levar calçado e roupa confortável apesar do troço ser facilmente percorrido por pessoas menos experientes.

One thought on “Caminito del Rey para caminhar e viver

  • 11 de Setembro de 2017 at 21:51
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    excelente!!!

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